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Como conseguir trabalhos de condomínios

Se é canalizador, eletricista, serralheiro, pintor ou gere uma empresa de limpeza ou de manutenção, sabe que um cliente particular é um trabalho e um condomínio é uma fonte de trabalho recorrente. Um edifício de sessenta frações gera avarias todos os meses, tem contratos anuais e, se fizer bem as coisas, o administrador chama-o para os outros condomínios da sua carteira.

O problema é como se entra. A maioria dos profissionais depende do passa-palavra, de um condómino que já os conhecia ou de ter deixado um cartão na entrada do prédio. E depois vêm os orçamentos que se enviam e a que ninguém responde.

Este artigo explica como se adjudicam realmente os trabalhos num condomínio, o que o administrador verifica antes de lhe ligar e como colocar-se onde ele o possa encontrar.

Quem decide realmente num condomínio

Aqui está o primeiro mal-entendido que custa trabalhos. O profissional costuma falar com o condómino que lhe liga, ou com o presidente, e dá por adquirido que isso basta. Não basta. É preciso perceber o circuito real:

  • O condómino comunica a avaria. Não contrata nem decide.
  • O administrador de condomínios gere a ocorrência, pede orçamentos e propõe. É o seu interlocutor real e quem lhe vai voltar a ligar.
  • O presidente representa o condomínio e assina, mas não costuma escolher sozinho.
  • A assembleia de condóminos aprova as despesas que excedem o ordinário.

Dito de outro modo: nas reparações correntes e urgentes decide, na prática, o administrador; para uma obra de certo valor é necessária uma deliberação da assembleia, e aí o seu orçamento vai competir com outros dois em cima de uma mesa, lido por pessoas que não são do ofício.

Isto tem uma consequência muito concreta: o seu orçamento tem de conseguir defender-se sem o ter a si presente. O administrador não vai explicar porque é que a sua rubrica de mão de obra é mais cara. Se não estiver claro no papel, perde.

O que um administrador verifica antes de o contratar

Um administrador que gere vinte condomínios responde perante vinte assembleias. Quando o contrata, põe em jogo a sua credibilidade. Por isso verifica sempre o mesmo, e convém tê-lo pronto antes de lho pedirem:

  • Seguro de responsabilidade civil em vigor, com cobertura suficiente para o tipo de trabalho. É a primeira coisa que se pede e a que mais vezes falta.
  • Atividade registada e obrigações em dia.
  • Orçamento discriminado por rubricas: materiais, mão de obra, unidades e preço unitário. Um valor único sem discriminação é muito difícil de aprovar numa assembleia.
  • Prazo de execução e garantia por escrito, antes de começar.
  • Capacidade de resposta. Numa urgência (uma fuga de água, um elevador, um quadro elétrico) quem atende o telefone fica com o trabalho.

Nenhuma destas cinco coisas tem a ver com ser mais barato. Têm a ver com o administrador poder justificar a sua escolha.

O erro que mais trabalhos de condomínio custa

Merece uma secção própria porque se repete constantemente: orçamentar por telefone e não voltar a escrever.

O profissional vai, vê a avaria, diz ao administrador «isto são uns mil e duzentos» e fica à espera da chamada. O administrador tem outros trinta processos abertos, precisa de levar três orçamentos comparáveis à assembleia, e o seu não existe no papel. Não é que o tenham excluído: é que não o podiam apresentar.

Envie sempre o orçamento por escrito, mesmo que seja curto, no próprio dia da visita. É a diferença entre entrar na comparação ou não entrar.

Como entrar na lista de um administrador

A via tradicional é conhecer alguém. A outra é estar onde o administrador procura quando não conhece ninguém: um canalizador de piquete para um condomínio novo, um profissional numa zona onde não trabalha o habitual, ou um terceiro orçamento de que precisa para uma assembleia.

No marketplace da FixrOS os administradores procuram profissionais por categoria de serviço e por proximidade, sobre um mapa. Registar-se significa aparecer nessa pesquisa para os condomínios da sua zona.

O registo passa por preencher um perfil que responda ao que o administrador vai verificar: as categorias de serviço em que trabalha, a sua localização, a sua documentação (é aí que se carrega o seguro de responsabilidade civil e o que comprove a sua atividade), uma galeria de trabalhos realizados e a sua disponibilidade.

Como é trabalhar a partir do portal

Uma vez lá dentro, o trabalho não chega por e-mails soltos. Tem um portal próprio onde tudo acontece:

  • Pedidos de trabalho dos condomínios, com a descrição da ocorrência e as fotografias que o condómino já tirou.
  • Orçamentos, que envia a partir daí e ficam associados ao processo. Não se perdem numa caixa de correio.
  • Calendário e disponibilidade, de modo que, quando lhe reservam um intervalo horário, esse intervalo fica ocupado e ninguém lho duplica.
  • Mensagens com o administrador dentro do processo, não num grupo de WhatsApp.
  • Trabalhos em curso, com o respetivo estado, e o fecho quando termina.
  • Recebimentos e avaliações dos condomínios para os quais já trabalhou.

As avaliações importam mais do que parece. Só as pode escrever quem contratou e fechou um trabalho consigo dentro do sistema, por isso não são opiniões de qualquer pessoa: são o histórico que um administrador novo vai consultar antes de lhe ligar pela primeira vez.

O particular também o encontra

Há uma fonte de trabalho que os profissionais do setor costumam ignorar. Os condóminos desses condomínios usam a mesma aplicação, e a partir dela contratam para a sua habitação particular: mudar uma torneira, pintar a sala, arranjar um estore.

Ou seja, entrar pela porta do condomínio coloca-o diante dos sessenta proprietários desse edifício como potenciais clientes para a casa deles. Para um profissional de bairro, isso costuma valer mais do que o próprio contrato do condomínio.

Perguntas frequentes sobre trabalhar para condomínios

Quantos orçamentos pede um condomínio?

O habitual são três para despesas relevantes, embora a Lei espanhola de Propriedade Horizontal (LPH) não fixe um número. É uma prática de boa gestão que muitos administradores aplicam e que alguns condomínios têm prevista nas suas normas. Para reparações urgentes e de pequeno valor costuma bastar um.

É preciso seguro de responsabilidade civil para trabalhar num condomínio?

Não é um requisito legal universal para toda a atividade, mas na prática é imprescindível: praticamente nenhum administrador contrata sem ele, porque responde perante o condomínio pelos danos que possa causar o profissional que propôs.

Quem me paga, o condomínio ou o administrador?

O condomínio, que é quem contrata. O administrador gere o pagamento a débito das contas do condomínio, mas o cliente é o condomínio, e é a ele que se fatura.

Posso trabalhar para vários condomínios do mesmo administrador?

Sim, e é isso que procura. Um administrador com carteira que fica satisfeito com um profissional tende a propô-lo nos seus outros condomínios, porque lhe reduz o risco. O primeiro trabalho bem feito é a porta para os seguintes.

O que acontece se a assembleia não aprovar o meu orçamento?

A despesa não avança ou é escolhido outro. Peça sempre ao administrador a razão: muitas vezes não é o preço, mas sim a falta de discriminação, prazo ou garantia, e isso pode corrigir para a próxima.

Como me registo como fornecedor?

Preenchendo o perfil profissional com as suas categorias de serviço, a sua zona, a documentação que comprova a sua atividade e o seu seguro, e a sua disponibilidade. A partir daí aparece nas pesquisas dos administradores da sua zona.

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Conclusão

Os trabalhos de condomínio não se conseguem por ser o mais barato, mas por ser aquele que o administrador consegue defender perante uma assembleia: com seguro, com orçamento discriminado, com prazo e com garantia, e atendendo o telefone quando há uma urgência. O resto é estar onde o procurem no dia em que precisarem de um profissional na sua zona e não conhecerem nenhum.

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